O talento britanico com viagem marcada para o Meco

O Super Bock Super Rock não se guia pela superstição e, se for preciso, volta a um lugar em que já foi mesmo muito feliz. Sim, estamos a falar do reencontro entre o Meco e o Festival mais autêntico do verão. Com a praia ali ao lado e um ambiente ainda mais descontraído, a edição de 2019 prepara-se para ser uma das melhores de sempre. E, claro, também por causa da Música. Depois da confirmação de norte-americana Lana Del Rey  no Palco Super Bock, no primeiro dia do festival, há mais dois nomes: The 1975 e Metronomy prometem conquistar o público português. A primeira banda é absolutamente de confiança quando o assunto é entregar pop/rock feito com bom gosto, e Manchester é uma cidade que já traz consigo um selo de qualidade a esse nível. Os 1975 identificam-se com essa boa tradição britânica e são um dos projetos mais cativantes dos últimos anos. A escolha do nome não foi fácil (antes foram Talkhouse, The Slowdown, Bigsleep, Blind Tapes, Drive Like I Do…), mas acabaram por ficar 1975, um nome que parece combinar com o espírito da banda. O talento vem de Matthew Healy, Ross MacDonald, Adam Hann e George Daniel. O sucesso começou dentro do Reino Unido, mas as canções são tão boas que não demorou muito até que temas como “The City", "Chocolate" ou “Sex” conquistassem os corações indie de todo o mundo. A estreia em formato longa duração chegou em 2013, com o lançamento do disco homónimo. Em 2016, e depois de muita estrada, o segundo disco, “I Like It When You Sleep, for You Are So Beautiful Yet So Unaware of It”, viu a luz do dia. Este é um registo que que mostra o à-vontade da banda na manipulação de diferentes linguagens, indo do pop ao r&b sem perder a identidade, passando até por temas mais emocionais (e até comoventes) como “Nana” ou “She Lays Down”. O ano de 2018 trouxe mais um disco para os 1975: “A Brief Inquiry Into Online Relationships”. O sentido crítico está lá, cada vez mais afiado, e o ecletismo musical também, cada vez mais integrado na própria cosmovisão destes ingleses. A crítica está rendida – a exigente Pitchfork deu-lhe a classificação de 8.5/10, a revista Time coloca-o no seu top 10 de discos do ano, a DYI dá-lhe 5/5 descrevendo-o como “um retrato bombástico e imaculadamente construído da vida moderna”, para destacar apenas alguns – e as canções, essas, continuam uma maravilha, apesar dos riscos – basta ouvir “Love It If We Made It” ou “Sincerity Is Scary” para querer ouvir tudo o resto. E no dia 18 de julho, no Palco Super Bock, não há como querer outra coisa. Quanto aos Metronomy, não foi sempre a estrela indie que hoje conhecemos. Começou por ser um jovem de 25 anos, a tentar ser cool a todo o custo (e sem sucesso) e sem grandes expectativas de vida. As boas canções também nascem de circunstâncias deste género, e Joe Mount sempre foi bom a despertar emoções nos outros, até quando se começou a apresentar como DJ em certos clubes de Brighton. Seguiram-se outros projetos, mas o sucesso só chegou com os Metronomy. “Pip Paine (Pay the £5000 You Owe)”, o disco de estreia, passou despercebido, mas Joe Mount continuou a explorar o estúdio, empenhado em casar a eletrónica com a pop, quase sozinho e inspirado por nomes como Prince. “Night Out”, o segundo disco, ainda não correspondeu a uma explosão de popularidade ao nível do talento de Joe, o que só viria a acontecer com “The English Riviera”, editado em 2011. Os arranjos mais pop de composições como “The Look” e “Everything Goes My Way”, conquistaram o público e a crítica e colocaram os Metronomy na linha da frente das bandas indie com vocação para as pistas de dança. “Love Letters” seguiu o mesmo bom caminho e o último disco, “Summer 08”, editado em 2016, marca a chegada à idade adulta, com a coragem de abordar as sombras do passado, mas sem nunca perder a leveza que os caracteriza. Com muita memória e enamorado pela riqueza pop dos anos 80, a ironia britânica das letras não deixa o corpo imóvel: o convite à dança é subtil, mas irresistível. “Old Skool”, “Hang Me Up to Dry” e “Back Together” são canções para fixar, dançar e pedir já no dia 18 de julho no Palco EDP, na próxima edição do Super Bock Super Rock. Os bilhetes já estão à venda na Blueticket e locais habituais, com o passe de 3 dias ao preço do 105€ e o bilhete diário a 55€.  Novas confirmações a anunciar brevemente.