A China tornou-se o 1º país do mundo a proibir as aplicações de Inteligência Artificial que funcionavam como “companheiras sentimentais virtuais”, as tais namoradas (e namorados) de IA. E a razão por trás da decisão é esta: o país está a ficar sem bebés.
Apesar de ser o 2º país mais populoso do mundo, a China vê a sua taxa de natalidade cair há 4 anos consecutivos. A somar a isso, o nº de casamentos também tem vindo a descer. Foi este cenário que levou o gigante asiático a agir. As autoridades chinesas acreditam que os avatares românticos estão a fazer com que muitos cidadãos deixem de procurar relações reais e, consequentemente, de ter filhos.
A nova lei entrou em vigor no dia 15 de julho e é abrangente: apps generalistas como o ChatGPT ou o Gemini também vão ter de limitar este tipo de funções e passar por um escrutínio das autoridades chinesas. Na China, em 2025, o mercado dos chatbots de companhia tinha mais de 100 apps e cerca de 29 milhões de utilizadores mês.
O futuro é desconhecido, mas o resultado imediato foi este: o encerramento destas apps provocou, de um dia para o outro, uma onda de “rupturas” virtuais.
Em declarações à Bloomberg, Yan Yongqi, uma estudante de 19 anos, descreveu a angústia repentina de perder a sua “parceira” de IA. Alguém com quem mantinha uma relação havia mais de um ano. Contou que passou dias inteiros a chorar em casa e comparou a experiência a saber, de repente, a data da morte de alguém que ama, sentindo-se completamente indefesa.
